quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Oposto de medusa

Quando eu era menina,
um Plié e uma Clave de sol me fizeram bailarina.

Nasceu (em mim) uma nova religião, 
onde a fé se é a emoção e a expressão.
Tornou-se veneração. 
Criou-se uma adoração.

Sindo que Deus é forma mais completa da Dança. 
Sábios que jamais acreditaram em Deus não o fizeram por que não sabiam dançar.

A Dança! Ah a Dança...

Como uma tirana, ela é soberana, 
Insana! Seu o poder emana.
Ela se impõe... se sobrepõe! 

É impossível escapar. 
Sou uma presa indefesa,
que com muita sutileza
dança com a Dança pra não se lastimar. 

Porque ela pode ferir. Pode machucar.
Pode matar e depois ressuscitar.
Sua magia hipnotiza como uma medusa ao contrário; 
aos homens que são pedra, movimento dá.

A Dança contamina o ritmo dos desritmados
e passa pelo corpo dos que por ela ao nascer, não foram contemplados. 
Desengonçados e engraçados aos olhos de quem não sabe olhar.
Não sabem ver, nem contemplar a beleza que é dançar.

A dança externa tudo que eu não consigo dizer, 
tudo que em minha vida não aprendi de outra maneira fazer. 
A melhor professora que me ensinou a escrever foi ela
As palavras simplesmente calam enquanto meu corpo revela.

Suas companheiras; Música, Letra e Melodia 
são as mulheres que todo homem queria. 
Que todo homem pretendia, 
que o melhor prazer lhes propicaria.

Meu movimento; 
e o cheiro que exala quando a Dança dança em mim. 
É feromônio. 
É um ritual.
É sexual. 
Basta... o meu sim.

O  ritual que sempre começa en dedans
não resite, se tornar en dehors.

À quem não pôde compreender, fica apenas meu relevé.
Meus aplausos aos apreciadores das bailarinas, das dançarinas...
Fecho agora e aqui, minhas cortinas.

Camila Reis

Um comentário:

  1. Que lindo texto! Me deu até vontade de dançar...

    Uma pena o Blog ter só este, autora é tão talentosa!!!

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