sexta-feira, 4 de novembro de 2011

TUDO ou NADA

Não rejeite nada. 
Nada!
Quando eu digo “nada” é com propriedade que o digo; Não-re-jei-te-na-da. Tudo trará algum aprendizado.
Tudo!
E quando eu digo “tudo” é com conhecimento de causa que o faço.
Rejeitar tudo fará de você um covarde. Fará de você o rato da retórica-pergunta: “Você é um homem ou um rato?”
Tudo tem fundamento, tudo tem um por quê, tudo faz sentido, por mais que apenas o faça algum tempo depois (Ah, meu amigo, o tempo...). Rejeitar as nossas experiências é impedir o nosso desenvolvimento é pôr uma mentira no lugar de nossas vidas e de nossas almas.
A alma... O corpo....
Como o corpo - leia-se mente, absorve todo tipo de coisas, tanto as coisas vulgares e sujas, como as mais belas e admiráveis, também a alma tem suas necessidades. A alma necessita da “essência” pra existir, do contrário cometerás o crime de “desalmar”.
O corpo em sua função de sustentar e a alma em sua função de sentir.
Sofrer é uma das belas formas do sentir.
Sofra, então.
Arrisque-se, oras.
Você tem medo do quê? Tem medo de quem?

Como um átomo que quanto mais carregado, mais denso em sua energia, se mantém compacto até seu limite. Assim é a alma; acumula dores, traições, aborrecimentos, decepções e perdas. Até explodir e recomeçar com apenas um elétron, ali, sozinho, estável e tranquilo.
Na calmaria que se vê depois de uma tempestade de sofrimento, a gente se encontra num barquinho. Com lugar pra uma só pessoa... A mercê do vento e do tempo.
Tempo. Ah, meu amigo, o tempo... Não há amigo mais seguro. Nele você pode confiar. O tempo nunca trai, nunca falha. É ele que traz as respostas pra TUDO e pra NADA.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Oposto de medusa

Quando eu era menina,
um Plié e uma Clave de sol me fizeram bailarina.

Nasceu (em mim) uma nova religião, 
onde a fé se é a emoção e a expressão.
Tornou-se veneração. 
Criou-se uma adoração.

Sindo que Deus é forma mais completa da Dança. 
Sábios que jamais acreditaram em Deus não o fizeram por que não sabiam dançar.

A Dança! Ah a Dança...

Como uma tirana, ela é soberana, 
Insana! Seu o poder emana.
Ela se impõe... se sobrepõe! 

É impossível escapar. 
Sou uma presa indefesa,
que com muita sutileza
dança com a Dança pra não se lastimar. 

Porque ela pode ferir. Pode machucar.
Pode matar e depois ressuscitar.
Sua magia hipnotiza como uma medusa ao contrário; 
aos homens que são pedra, movimento dá.

A Dança contamina o ritmo dos desritmados
e passa pelo corpo dos que por ela ao nascer, não foram contemplados. 
Desengonçados e engraçados aos olhos de quem não sabe olhar.
Não sabem ver, nem contemplar a beleza que é dançar.

A dança externa tudo que eu não consigo dizer, 
tudo que em minha vida não aprendi de outra maneira fazer. 
A melhor professora que me ensinou a escrever foi ela
As palavras simplesmente calam enquanto meu corpo revela.

Suas companheiras; Música, Letra e Melodia 
são as mulheres que todo homem queria. 
Que todo homem pretendia, 
que o melhor prazer lhes propicaria.

Meu movimento; 
e o cheiro que exala quando a Dança dança em mim. 
É feromônio. 
É um ritual.
É sexual. 
Basta... o meu sim.

O  ritual que sempre começa en dedans
não resite, se tornar en dehors.

À quem não pôde compreender, fica apenas meu relevé.
Meus aplausos aos apreciadores das bailarinas, das dançarinas...
Fecho agora e aqui, minhas cortinas.

Camila Reis